segunda-feira, 22 de julho de 2013

Falta de comida preocupam Tendas El Shaday


Com a retirada de patrocinadores, como lojas e Câmara de Santa Cruz, que antes ajudavam a custear as despejas de água e luz, o responsável das Tendas El Shaday diz-se preocupado com as dificuldades, sobretudo alimentares, por que passa aquele espaço. Honório Fragata apela a mais apoios para continuar com o trabalho na recuperação dos toxicodependentes.
Criadas em 1996 com a capacidade de receber 25 toxicodependentes, as chamadas tendas El Shaday, em Santa Cruz, têm no momento 38 internos, entre os quais adolescentes e adultos, na sua maioria por consumo de álcool. Apesar disso, Honório Fragata afirma que a superlotação não é o maior dos problemas do centro que gere, uma vez que sempre se arranja forma de caber “mais um”.
"O nosso maior problema no momento”, sublinha, “é a dificuldade de alimentação, uma vez que as lojas que antes nos apoiavam já não estão a fazê-lo devido ao aumento da procura de apoios, e agora são poucos os que nos ajudam”.
Apesar de as Tendas terem uma fábrica de sabonetes e artesanato e cultivo de hidroponia, “Tio”, como é conhecido, diz que os recursos obtidos por essas vias são ainda insuficientes para assegurar o sustento do centro. “Estamos a pensar em produzir os nossos produtos em maior quantidade para vender, mas mesmo isso requer meios dispendiosos, coisa não temos”, diz.
SEGURANÇA / SOLUÇÕES
A falta de segurança nas Tendas El Shadai é um outro problema há muito relatado por Honório Fragata. “São pessoas e animais que cá vêm invadir o espaço, danificando as nossas plantações, etc., por isso, precisamos de um muro que nos proteja desses invasores”, expõe.
Com o aproximar das chuvas, Fragata diz que esta é uma outra preocupação, uma vez que falta lugar para colocar alguns internos e objectos que se encontram nas tendas. “Gostaríamos de construir uma área de 12 metros de comprimento, oito de largura, ou até mesmo uma caserna, que desse para acolher os internos”, mas, para tal, acrescenta, “precisamos de alguns materiais de construção como por exemplo sacos de cimento, areia, etc.”.
Uma das possíveis soluções que irá apresentar aos ministros da Saúde e da Justiça, segundo Fragata, é que em vez da ajuda anual que é dada a El Shaday lhe seja oferecida uma mensal. “Todos os anos estes dois ministérios dão-nos um apoio de 350 contos, mas se em vez disso nos dessem 70 contos mensais, acreditamos que uma parte dos nossos problemas seria resolvida, sobretudo alimentares, uma vez que teríamos onde ir buscar todos os meses”, sugere.
Outro problema apontado por Fragata é a questão da reinserção, tida como o grande calcanhar de Aquiles no trabalho da recuperação dos toxicodependentes. “Nem sempre os ex-internos daqui são bem aceites na sociedade e na família, uma vez que antes de terem vindo aqui parar aprontaram muito para alimentarem o vício, mas estamos a fazer de tudo para ultrapassar isso".
OITOCENTOS INTERNOS
Sem a ajuda das lojas que antes forneciam géneros alimentícios e materiais escolares para o centro, e sem os 50 % que eram dados pela câmara de Pedra Badejo para pagar água e luz, a situação da El Shaday, de acordo com o seu responsável, não tem sido fácil, com tendências de se agravar cada vez mais. “Temos no momento 10 crianças a estudar, são materiais escolares, vestuários, etc., são muitas despesas e os financiamentos que temos não são suficientes”, lamenta.
Segundo a mesma fonte, El Shaday já recebeu cerca de 800 toxicodependentes, desde que começou a funcionar em 1996. “Muitos já se recuperaram, cerca de 30 por cento já têm a respectiva família, escola, etc., cerca de 2 a 3 % voltaram”.
Aquele responsável afirma ainda que no momento as Tendas, assim como outros lugares que também cuidam dos toxicodependentes, enfrentam “grande guerra” com as entidades que produzem e vendem bebidas alcoólicas, dado que são os maiores incentivadores do consumo do álcool em Cabo Verde. “São muitas as propagandas que cada vez mais incentivam ao consumo abusivo de álcool”, alerta.
Para que impedir que isso continue a acontecer, Honório Fragata alerta que é necessário um “djunta mon” entre as famílias, as autoridades e os centros de apoio a esses toxicodependentes. “Caso contrário”, conclui, “não sei onde vamos parar”.

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